← Vozes e Experiências

SÉRIE ESPECIAL | IRMÃS TELLES: DUAS TRAJETÓRIAS, DUAS VOZES E UMA PAIXÃO PELA LITERATURA

Laís
Telles

Literatura, cuidado e sensibilidade na construção de novas histórias.

LiteraturaFisioterapiaCuidado humanoAgente cultural
Laís Telles ao lado da obra O Amor é uma Utopia
Laís Telles, escritora, fisioterapeuta e agente cultural, ao lado da obra escrita em parceria com Larissa Telles.

L

Esta entrevista abre uma série especial dedicada às escritoras e irmãs gêmeas Laís e Larissa Telles, naturais de Euclides da Cunha, Bahia. Embora compartilhem obras e projetos culturais, cada uma construiu uma relação própria com a escrita.

Escritora, fisioterapeuta e agente cultural, Laís encontrou na literatura uma forma de traduzir sentimentos, preservar memórias e estabelecer conexões. Sua experiência profissional ampliou seu olhar sobre cuidado, superação, resiliência e esperança.

EntrevistadorCONTEÚDOEntrevistadaLaís Telles
CONTEÚDO · 01

Laís, como a literatura surgiu em sua vida e em que momento você percebeu que a escrita poderia se tornar uma forma de expressão pessoal?

LAÍS TELLES

A literatura está presente em minha vida desde a infância. Aos poucos, percebi que a escrita me permitia organizar sentimentos, registrar lembranças e transformar experiências em algo que pudesse ser compartilhado. Escrever passou a ser uma forma de compreender o que eu vivia e de estabelecer uma conexão com outras pessoas por meio das palavras.

CONTEÚDO · 02

O que você busca preservar ou revelar quando transforma sentimentos, lembranças e experiências em palavras?

LAÍS TELLES

Procuro preservar a verdade emocional de cada experiência. Nem sempre é o acontecimento em si que permanece, mas aquilo que ele provocou, os aprendizados e as marcas que deixou. Ao escrever, tento dar forma a essas emoções sem retirar delas a simplicidade e a possibilidade de identificação.

CONTEÚDO · 03

Sua escrita é frequentemente associada à delicadeza e à sensibilidade. Você considera que essas características surgiram naturalmente ou foram construídas ao longo de sua trajetória?

LAÍS TELLES

Acredito que existe uma disposição pessoal para observar e acolher as emoções, mas essa sensibilidade também foi sendo construída pelas experiências, pela leitura e pelo contato com diferentes histórias. A delicadeza, para mim, não significa evitar temas difíceis, e sim encontrar uma linguagem capaz de abordá-los com humanidade.

CONTEÚDO · 04

Como sua formação e sua atuação como fisioterapeuta influenciam sua maneira de observar as pessoas e construir seus textos?

LAÍS TELLES

A fisioterapia ampliou meu olhar sobre o cuidado, os limites, a persistência e a esperança. A profissão exige escuta e atenção ao percurso singular de cada pessoa. Essa convivência influencia minha escrita, sobretudo na maneira como observo as relações humanas e compreendo que cada história possui um tempo próprio.

CONTEÚDO · 05

O contato com histórias de recuperação, resiliência e esperança aparece diretamente em sua produção literária?

LAÍS TELLES

Essas experiências aparecem como referências humanas, sem que eu precise reproduzir histórias particulares. Elas me fazem refletir sobre recomeços, vulnerabilidade e força, temas que podem ganhar novas formas na literatura. Meu compromisso é preservar a confidencialidade das pessoas e transformar apenas os aprendizados gerais em matéria de criação.

CONTEÚDO · 06

Em sua experiência, quais aproximações podem ser estabelecidas entre a literatura e o cuidado humano?

LAÍS TELLES

A literatura e o cuidado começam pela escuta. Em ambos, é preciso reconhecer que cada pessoa carrega experiências que nem sempre são visíveis. Um texto pode acolher, provocar reflexão e ajudar o leitor a nomear sentimentos, enquanto o cuidado profissional também depende de presença, atenção e respeito.

CONTEÚDO · 07

Como surgiu a parceria literária com sua irmã gêmea, Larissa Telles?

LAÍS TELLES

A parceria nasceu da convivência, do interesse compartilhado pela literatura e das conversas sobre aquilo que líamos e escrevíamos. Ser irmãs gêmeas nos dá proximidade, mas não elimina nossas diferenças. O trabalho conjunto se tornou uma forma de colocar perspectivas distintas em diálogo.

Laís Telles e Larissa Telles juntas em evento literário
Laís e Larissa Telles, nesta ordem, durante atividade literária realizada em parceria.
CONTEÚDO · 08

Como foi o processo de construção da obra “O Amor é uma Utopia — Dos Sabores aos Dissabores”?

LAÍS TELLES

A obra foi construída a partir do desejo de discutir o amor sem idealizações. Reunimos textos que percorrem afetos, expectativas, vulnerabilidades, perdas, recomeços e amadurecimento. O título traduz esse movimento entre os sabores e os dissabores presentes nos vínculos humanos.

CONTEÚDO · 09

Qual foi sua contribuição específica para a concepção e para a escrita dessa obra?

LAÍS TELLES

Minha participação ocorreu na construção da proposta e na produção dos textos que integram a obra, em diálogo com Larissa. Cada uma trouxe sua experiência e sua maneira de observar o tema. Esta resposta permanece aberta a complementações sobre a divisão do trabalho, a seleção dos textos e as demais etapas editoriais.

CONTEÚDO · 10

De que maneira vocês organizam o processo criativo quando escrevem juntas?

LAÍS TELLES

O processo combina criação individual e diálogo. Cada uma escreve a partir de sua própria perspectiva, e depois conversamos sobre a composição do conjunto, a coerência temática e a ordem dos textos. Esse método permite que o livro tenha unidade sem apagar a voz de cada autora.

CONTEÚDO · 11

Vocês são irmãs gêmeas e compartilham parte da trajetória literária. Como é possível escrever juntas e, ao mesmo tempo, preservar a identidade e a voz autoral de cada uma?

LAÍS TELLES

Escrever juntas é, antes de tudo, um exercício de escuta e respeito. Compartilhamos valores, referências e uma profunda admiração pelo trabalho uma da outra, mas cada uma possui uma sensibilidade própria, um olhar particular sobre o mundo e uma maneira singular de transformar experiências em palavras. Nossa trajetória literária se encontra justamente nesse equilíbrio: caminhamos lado a lado, sem abrir mão da identidade de cada voz. Quando escrevemos em conjunto, buscamos uma harmonia em que nossas diferenças se complementam; quando escrevemos individualmente, levamos conosco tudo o que aprendemos nessa convivência criativa, preservando aquilo que torna cada escrita única.

CONTEÚDO · 12

O livro foi contemplado por um edital da Lei Aldir Blanc em Sergipe. O que esse reconhecimento representou para sua trajetória?

LAÍS TELLES

A seleção contribuiu para viabilizar a obra e mostrou que uma produção desenvolvida por autoras do interior poderia alcançar reconhecimento institucional. Também trouxe responsabilidade e estímulo para continuar escrevendo, aprimorar os projetos e ampliar o contato com os leitores.

CONTEÚDO · 13

Qual é a importância dos editais, programas de incentivo e políticas culturais para autores que produzem literatura fora dos grandes centros editoriais?

LAÍS TELLES

Essas políticas podem viabilizar publicação, impressão, circulação e atividades culturais que dificilmente seriam realizadas apenas com recursos próprios. Para autores do interior, também ajudam a reduzir distâncias e a dar visibilidade a produções que nem sempre chegam aos circuitos editoriais mais conhecidos.

CONTEÚDO · 14

Como você avalia a importância de produzir e divulgar literatura a partir de Euclides da Cunha e do interior da Bahia?

LAÍS TELLES

Produzir a partir de Euclides da Cunha reafirma que o interior também é lugar de criação literária. Nossas cidades possuem leitores, autores, memórias e experiências que precisam circular. Valorizar essa produção contribui para diversificar as referências culturais e aproximar novos públicos dos livros.

CONTEÚDO · 15

Além dos livros, você participa de iniciativas de incentivo à leitura e de valorização da produção cultural. Como essas atividades são desenvolvidas?

LAÍS TELLES

Participo, ao lado de Larissa, de ações que buscam aproximar livros e leitores e valorizar autores do interior. Entre essas experiências está a destinação de exemplares à Biblioteca Pública Municipal de Euclides da Cunha, realizada como contrapartida de um projeto apoiado pela Lei Paulo Gustavo. Posso complementar esta resposta com outras iniciativas, públicos atendidos e resultados.

CONTEÚDO · 16

Você e Larissa estão trabalhando em uma terceira obra conjunta. O que já pode ser revelado sobre esse novo projeto?

LAÍS TELLES

O novo livro preserva a essência poética que acompanha nossa escrita, mas propõe uma abordagem inédita. Ele reunirá textos e reflexões desenvolvidos a partir de novas perspectivas e deverá apresentar uma identidade diferente das obras anteriores. Neste momento, preferimos não antecipar detalhes que ainda estão em construção.

CONTEÚDO · 17

Em que aspectos esse terceiro livro deverá se diferenciar das obras anteriores?

LAÍS TELLES

A principal diferença estará na abordagem e na organização da proposta literária. Estamos buscando outros caminhos de expressão, sem abandonar a sensibilidade e o interesse pelas experiências humanas que já caracterizam nosso trabalho.

CONTEÚDO · 18

Você também está desenvolvendo seu primeiro livro solo. Como nasceu essa proposta?

LAÍS TELLES

A proposta nasceu do desejo de desenvolver uma narrativa mais diretamente relacionada às experiências e reflexões acumuladas em minha trajetória profissional. É um projeto distinto dos livros escritos em parceria e representa uma oportunidade de explorar minha voz individual com maior profundidade.

CONTEÚDO · 19

De que forma sua experiência profissional será incorporada à narrativa desse novo livro?

LAÍS TELLES

Minha experiência profissional irá atravessar o livro de maneira muito natural. Ao longo dos meus atendimentos, convivi com histórias que me ensinaram muito sobre a velhice, a solidão e as diferentes formas de abandono que podem marcar essa etapa da vida. Evidentemente, nenhuma dessas vivências será retratada de forma a expor pessoas ou experiências individuais. O que me interessa é transformar os sentimentos, as dores, os silêncios e os anseios que testemunhei em uma reflexão sensível sobre o envelhecimento. Espero que o livro convide o leitor a enxergar, com mais empatia, aqueles que tantas vezes se tornam invisíveis, lembrando que toda vida carrega uma história que merece ser ouvida.

CONTEÚDO · 20

O que representa, para você, iniciar uma produção individual depois de construir obras em parceria com sua irmã?

LAÍS TELLES

Representa uma nova etapa de amadurecimento. A parceria com Larissa faz parte da minha formação como escritora, enquanto o projeto solo me convida a assumir outras escolhas narrativas e a aprofundar aspectos mais diretamente ligados à minha experiência.

CONTEÚDO · 21

Que tipo de reflexão ou sentimento você espera despertar nos leitores por meio de sua escrita?

LAÍS TELLES

Espero que os leitores encontrem espaço para reconhecer suas próprias emoções e olhar para experiências comuns com outra perspectiva. Se um texto puder provocar reflexão, acolher uma inquietação ou criar uma conexão verdadeira, ele já terá cumprido uma função importante.

CONTEÚDO · 22

Que mensagem deixaria para pessoas que escrevem, mas ainda não tiveram coragem de compartilhar seus textos?

LAÍS TELLES

A escrita pode começar como um espaço íntimo e não precisa ser exposta antes que a pessoa se sinta preparada. Quando chegar o momento, é possível compartilhar primeiro com alguém de confiança, participar de grupos de leitura e aceitar que todo texto pode amadurecer. A coragem também se constrói aos poucos.

DUAS IRMÃS, DUAS PERSPECTIVAS LITERÁRIAS

A série continua

Laís Telles compartilha com a irmã gêmea, Larissa Telles, uma trajetória construída entre livros, projetos culturais e ações de incentivo à leitura. Embora desenvolvam obras em parceria, cada uma preserva experiências, referências e formas próprias de compreender a literatura.

Conhecer a entrevista com Larissa Telles
CONTATOS E OBRAS

Acompanhe a produção literária e profissional de Laís Telles.

Conheça os canais profissionais e as obras relacionadas à trajetória da autora.

Literatura, cuidado humano e atuação cultural reunidos em uma trajetória construída a partir do interior da Bahia.

A Conteúdo Pedagógico agradece a Laís Telles por compartilhar sua trajetória, suas experiências e sua relação com a literatura. Sua história contribui para valorizar as vozes literárias do interior e para demonstrar como diferentes experiências profissionais e pessoais podem encontrar expressão por meio das palavras.

Laís Telles e Larissa Telles autografando livros juntas
Laís e Larissa Telles durante sessão de autógrafos, em registro que encerra esta primeira parte da série especial.