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LITERATURA, EDUCAÇÃO E SERTÃO

Salvador
Alexandre

Entre a escola, o sertão e os caminhos da literatura.

EducaçãoLiteraturaJuazeiroSertão
Salvador Alexandre Magalhães Gonzaga
Salvador Alexandre Magalhães Gonzaga, professor e escritor.

Nascido em Guarujá, no litoral de São Paulo, Salvador Alexandre Magalhães Gonzaga chegou a Juazeiro ainda criança, em 1982. Foi no sertão baiano que construiu sua formação acadêmica, sua trajetória profissional na educação e uma produção literária marcada pela diversidade de gêneros, pela observação das relações humanas e pelo interesse por temas que atravessam diferentes grupos sociais.

Leitor dedicado, Salvador começou a experimentar a escrita literária durante o curso de Pedagogia na Universidade do Estado da Bahia — UNEB. Em 1996, conquistou o primeiro lugar no Festival de Arte da Universidade com o conto No Fundo do Espelho Havia o Retrato de Marília, episódio que representou um marco em sua caminhada como escritor.

Seu primeiro livro impresso, o romance Léu de Mim, foi publicado em 2002. Depois vieram obras de diferentes gêneros, entre romances, coletâneas de contos, narrativas de suspense e livros destinados aos públicos infantil e infantojuvenil.

Em junho de 2026, sua trajetória recebeu reconhecimento público entre os escritores homenageados pela segunda edição do Festival Juá Literária, em celebração à produção que contribui para a memória, a identidade cultural e a formação histórico-literária de Juazeiro.

OBRAS MENCIONADAS

Uma escrita que transita por diferentes leitores e gêneros.

Capa do livro Léu de MimOBRA

Léu de Mim

Capa do livro Sobre MurosOBRA

Sobre Muros

Capa do livro VolúpiaOBRA

Volúpia

Capa do livro Caminho das ÁrvoresOBRA

Caminho das Árvores

Capa do livro Jogo de SeduçãoOBRA

Jogo de Sedução

Capa do livro Coisa ObscuraOBRA

Coisa Obscura

Capa do livro A Tartaruga LaísOBRA

A Tartaruga Laís

Capa do livro A Galinha MatildeOBRA

A Galinha Matilde

ENTREVISTA

Leitura, escola, criação e pertencimento.

01

Você nasceu em Guarujá e chegou a Juazeiro ainda criança, em 1982. O que essa mudança representou em sua formação pessoal?

Salvador Alexandre — Cheguei a Juazeiro em uma fase muito importante da vida, quando a criança ainda está formando suas referências e sua maneira de perceber o mundo. Por isso, embora tenha nascido em Guarujá, foi no sertão que construí grande parte das minhas lembranças, relações e experiências. Juazeiro se tornou o território da minha formação humana, acadêmica e profissional. É também o lugar a partir do qual passei a observar as pessoas, os comportamentos, as contradições sociais e as histórias que, mais tarde, encontrariam algum caminho dentro da literatura.

02

De que maneira o sertão aparece em sua identidade e em sua produção literária?

Salvador Alexandre — O sertão está presente em minha maneira de olhar, mesmo quando não aparece de forma explícita como cenário. Ele está nas referências culturais, na linguagem, na convivência com diferentes realidades e na capacidade que as pessoas têm de reconstruir a própria existência diante das dificuldades. Procuro não reduzir o sertão a uma imagem única, porque ele é muito mais complexo do que as representações construídas de fora. Há dureza, mas também há invenção, inteligência, humor, afetividade, conflitos, desejos e muitas formas de compreender o mundo.

03

Você se apresenta como um leitor ávido. Como nasceu sua relação com a leitura?

Salvador Alexandre — A leitura foi se tornando uma necessidade. Antes de pensar em escrever, fui alguém interessado em conhecer histórias, personagens e maneiras diferentes de organizar a realidade por meio das palavras. O livro permite que o leitor viva experiências que talvez não estejam ao seu alcance imediato. Ele também ensina a observar melhor aquilo que está perto. Quanto mais eu lia, mais percebia que a literatura não servia apenas para contar acontecimentos, mas para alcançar dimensões da experiência humana que nem sempre conseguimos expressar em uma conversa comum.

04

Quando a leitura começou a se transformar em desejo de escrever?

Salvador Alexandre — A escrita começou a se tornar mais concreta quando eu era estudante do curso de Pedagogia na UNEB. Até então, havia o interesse pela leitura e algumas tentativas, mas foi no ambiente universitário que passei a reconhecer a escrita como uma possibilidade real de expressão. A universidade ampliou minhas referências e me colocou em contato com discussões sociais, educacionais e culturais que despertavam perguntas. Muitas vezes, escrever nasce justamente da necessidade de lidar com uma pergunta que ainda não conseguimos responder completamente.

05

Em 1996, você conquistou o primeiro lugar no Festival de Arte da Universidade com o conto No Fundo do Espelho Havia o Retrato de Marília. O que aquela premiação significou?

Salvador Alexandre — Foi um momento muito importante porque representou um reconhecimento externo para algo que ainda estava começando. Quando alguém escreve no início da trajetória, geralmente convive com muitas dúvidas. Não sabe se o texto consegue alcançar o leitor, se a história possui força ou se aquela experiência deve continuar. A premiação não eliminou essas dúvidas, mas mostrou que havia um caminho possível. Foi um estímulo para que eu levasse a escrita mais a sério e continuasse enfrentando os desafios próprios da criação literária.

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O título No Fundo do Espelho Havia o Retrato de Marília desperta imediatamente a curiosidade do leitor. O que o espelho representava naquela narrativa?

Salvador Alexandre — O espelho é um objeto que permite muitas leituras. Ele pode representar reconhecimento, memória, aparência, identidade ou aquilo que uma pessoa evita enxergar em si mesma. Na literatura, gosto de elementos que tenham uma função na narrativa, mas que também deixem espaço para a interpretação do leitor. O retrato de Marília, colocado no fundo desse espelho, sugere uma presença que não se revela imediatamente. Há algo que precisa ser procurado para além da superfície.

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Seu primeiro livro impresso, Léu de Mim, foi publicado em 2002. Como surgiu a história de um artista famoso que decide viver recluso em um apartamento de apenas 15 metros quadrados?

Salvador Alexandre — A ideia nasceu do interesse pela exposição da vida privada e pela relação entre o indivíduo e o olhar do público. O personagem é famoso, mas decide experimentar uma forma de reclusão que, contraditoriamente, continua sendo acompanhada por uma multidão. Ele está isolado fisicamente, mas permanece exposto. Essa contradição me interessava porque permitia discutir solidão, fama, curiosidade pública e os limites entre experiência real e espetáculo.

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A proposta de Léu de Mim parece antecipar temas que se tornaram ainda mais presentes com as redes sociais. Como você observa essa relação atualmente?

Salvador Alexandre — Quando o livro foi escrito, a exposição digital ainda não tinha as proporções atuais, mas já existia um movimento de transformação da intimidade em entretenimento. Hoje, essa discussão se tornou ainda mais intensa. Muitas pessoas transformam a própria rotina em conteúdo, enquanto outras acompanham vidas que conhecem apenas por meio de telas. A tecnologia amplia as possibilidades de comunicação, mas também cria novas formas de vigilância, comparação e solidão. Nesse sentido, acredito que alguns conflitos presentes no livro permanecem atuais.

09

Sua produção transita por romances, contos, suspense, literatura infantil e narrativas infantojuvenis. O que o leva a escolher um gênero?

Salvador Alexandre — Normalmente, é a própria história que indica a forma mais adequada. Algumas ideias exigem o desenvolvimento mais longo de um romance. Outras possuem a concentração necessária para um conto. Quando escrevo para crianças ou adolescentes, preciso considerar a experiência desse leitor, mas sem diminuir a complexidade daquilo que desejo tratar. Não vejo a literatura infantil como uma literatura menor ou mais fácil. Ela exige precisão, sensibilidade e respeito pela inteligência da criança.

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Entre suas obras estão as coletâneas Sobre Muros e Volúpia, além dos romances Caminho das Árvores e Jogo de Sedução. Existem inquietações comuns entre esses livros?

Salvador Alexandre — Embora sejam obras diferentes, há um interesse recorrente pelas relações humanas, pelos desejos, pelos limites que as pessoas constroem e pelas escolhas que fazem diante de determinadas circunstâncias. Os títulos já sugerem alguns desses movimentos. O muro pode separar, proteger ou impedir. A sedução pode estar ligada ao afeto, ao poder ou à ilusão. Os caminhos podem conduzir uma pessoa a um destino, mas também obrigá-la a rever aquilo que imaginava sobre si mesma. Procuro trabalhar essas possibilidades sem apresentar personagens completamente simples ou previsíveis.

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Em Coisa Obscura, você se volta ao público infantojuvenil por meio de uma narrativa de suspense. Como trabalhar o medo para leitores mais jovens?

Salvador Alexandre — O medo faz parte da infância e da adolescência, assim como faz parte da vida adulta. A literatura permite que o leitor se aproxime desse sentimento dentro de um espaço simbólico, no qual pode experimentar tensão, dúvida e curiosidade sem estar diante de um perigo real. Ao escrever suspense para o público infantojuvenil, é necessário construir a atmosfera e preservar o mistério, mas também compreender os limites e a sensibilidade desse leitor. O medo não precisa ser gratuito; ele pode servir para revelar conflitos, escolhas e formas de coragem.

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Você também escreveu livros infantis, como A Tartaruga Laís e A Galinha Matilde. O que a literatura para crianças permite ao escritor?

Salvador Alexandre — Ela permite reencontrar formas de olhar que o adulto muitas vezes abandona. A criança observa o mundo com curiosidade e atribui sentido a elementos que o adulto considera comuns. Animais, objetos, sons e pequenos acontecimentos podem assumir grande importância. Ao escrever para crianças, procuro lembrar que elas não precisam apenas de explicações. Elas também precisam de imaginação, humor, encantamento e espaço para construir suas próprias interpretações.

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Como a sua experiência como professor da rede municipal de Juazeiro interfere na escrita?

Salvador Alexandre — A escola é um espaço de encontro com muitas histórias. O professor convive com diferentes maneiras de aprender, falar, sentir e interpretar a realidade. Essa experiência amplia a percepção sobre as pessoas e sobre os contextos sociais em que elas vivem. Não significa que eu transforme diretamente estudantes ou situações escolares em personagens, mas a convivência com a educação modifica minha maneira de observar o mundo. Ela também reforça a responsabilidade de tratar crianças e adolescentes como sujeitos capazes de pensar e produzir sentidos.

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O professor e o escritor são dimensões separadas de sua vida?

Salvador Alexandre — Existem momentos em que uma dimensão ocupa mais espaço do que a outra, mas não consigo separá-las completamente. O professor trabalha com a palavra, com a escuta e com a construção de possibilidades. O escritor também depende da palavra e da capacidade de observar e escutar. A educação me aproxima de diferentes realidades humanas, enquanto a literatura me ajuda a compreender que nenhuma realidade pode ser explicada apenas por uma perspectiva.

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Sua formação em Pedagogia influenciou sua maneira de escrever para crianças e jovens?

Salvador Alexandre — A formação em Pedagogia contribuiu para que eu pensasse com mais atenção sobre os processos de desenvolvimento, aprendizagem e formação do leitor. No entanto, um livro literário não deve se transformar em uma aula disfarçada. A literatura pode produzir conhecimento, reflexão e transformação, mas precisa preservar sua liberdade artística. Quando escrevo para crianças ou jovens, procuro não subestimar o leitor nem oferecer respostas prontas para todas as questões.

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Em sua avaliação, qual é o lugar da literatura na escola?

Salvador Alexandre — A literatura deve ocupar um lugar de experiência, e não apenas de obrigação. Quando o livro é apresentado somente como instrumento para responder questionários ou identificar elementos gramaticais, corre-se o risco de afastar o estudante. A mediação do professor é fundamental, mas precisa abrir caminhos para a leitura, e não controlar todas as interpretações. A escola pode apresentar autores, gêneros e obras que talvez o estudante não encontrasse sozinho, criando condições para que ele desenvolva autonomia e forme suas próprias preferências.

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Como formar leitores em uma época marcada por telas, informações rápidas e constantes disputas pela atenção?

Salvador Alexandre — Não acredito que a solução esteja em tratar as tecnologias como inimigas. Elas fazem parte da vida contemporânea e também podem ampliar o acesso aos textos. O desafio é ajudar crianças, jovens e adultos a desenvolverem atenção, criticidade e capacidade de escolher. A leitura literária exige outro ritmo. Ela pede permanência, imaginação e disponibilidade para entrar em contato com uma voz diferente. Formar leitores significa criar experiências em que essa relação com o texto faça sentido.

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O sertão ainda é representado de forma estereotipada em parte da produção cultural brasileira?

Salvador Alexandre — Sim. Muitas representações ainda limitam o sertão à seca, à pobreza e ao sofrimento, como se não existissem outras dimensões da vida sertaneja. Esses problemas fazem parte da história e não devem ser ignorados, mas o sertão também possui produção artística, pensamento, invenção, diversidade e modos próprios de viver a contemporaneidade. Quem escreve a partir desse território pode contribuir para revelar sua complexidade, sem idealizá-lo e sem reduzi-lo.

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Quando uma nova história começa, o que costuma surgir primeiro: uma personagem, uma imagem, um conflito ou uma pergunta?

Salvador Alexandre — Isso varia bastante. Às vezes surge uma imagem que permanece durante muito tempo. Em outros momentos, aparece uma personagem ou uma situação que contém algum conflito. Também existem histórias que começam com uma pergunta. O processo de escrita consiste, em parte, em descobrir o que existe dentro daquela primeira ideia. Nem sempre o escritor conhece antecipadamente o caminho completo. Há momentos em que a própria narrativa modifica o projeto inicial.

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Como você lida com o desafio de escrever e publicar estando fora dos grandes centros editoriais do país?

Salvador Alexandre — Esse é um desafio importante. A produção literária brasileira é muito maior e mais diversa do que aquilo que normalmente alcança os principais espaços de divulgação. Escritores que estão fora dos grandes centros precisam enfrentar dificuldades de publicação, distribuição e circulação das obras. Ao mesmo tempo, existem novas possibilidades de publicação e de contato com os leitores. Ainda assim, é necessário ampliar os espaços de visibilidade para autores regionais, não como uma concessão, mas pelo valor e pela diversidade de suas produções.

21

Em 2026, você esteve entre os escritores homenageados pelo Festival Juá Literária, em reconhecimento à contribuição de autores que ajudam a construir a memória e a identidade cultural de Juazeiro. Como recebeu essa homenagem?

Salvador Alexandre — Recebi com muita alegria e, ao mesmo tempo, com um forte sentimento de responsabilidade. Ser lembrado em uma homenagem dedicada aos escritores que participam da construção literária de Juazeiro significa perceber que o trabalho desenvolvido ao longo dos anos encontrou algum lugar na memória cultural da cidade. Minha trajetória como escritor foi construída aqui, em diálogo com o sertão, com a educação e com as experiências humanas que encontrei nesse território. Por isso, esse reconhecimento tem um significado especial. Ele não representa apenas uma conquista individual, mas também chama atenção para a importância de valorizar os escritores locais e fazer com que suas obras cheguem a novos leitores.

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O tema da edição foi “Palavras que navegam pelo tempo”. Ao olhar para sua própria trajetória, quais palavras ou histórias você gostaria que continuassem navegando depois de você?

Salvador Alexandre — Gostaria que permanecessem as histórias capazes de tocar o leitor sem subestimar sua inteligência, independentemente de sua idade. A literatura atravessa o tempo quando consegue falar sobre sentimentos, conflitos e escolhas que continuam fazendo parte da experiência humana. Também gostaria que minha produção contribuísse para mostrar que o sertão é um território de pensamento, criação e diversidade. Se alguma história minha continuar encontrando leitores, despertando perguntas ou estimulando alguém a ler e escrever, ela continuará cumprindo sua travessia.

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Depois de tantos anos escrevendo, o que ainda o motiva a continuar?

Salvador Alexandre — A literatura continua sendo uma maneira de investigar a realidade e de me relacionar com aquilo que ainda não compreendo completamente. Escrever não elimina as dúvidas; em muitos casos, torna essas dúvidas mais profundas. O que me motiva é a possibilidade de construir uma história que encontre o leitor e produza nele alguma inquietação, alguma lembrança ou uma maneira diferente de olhar para determinado aspecto da vida.

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Entre o professor e o escritor, quais projetos ainda deseja realizar?

Salvador Alexandre — Desejo continuar contribuindo com a educação e desenvolvendo minha produção literária. Há sempre novos temas, personagens e formas narrativas a experimentar. Como professor, quero continuar participando de processos que reconheçam a leitura e a literatura como dimensões importantes da formação humana. Como escritor, desejo ampliar o contato com os leitores e dar continuidade a uma obra que dialogue com diferentes públicos sem perder sua identidade.

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Que mensagem você deixaria aos professores, estudantes e novos escritores que desejam transformar suas experiências em literatura?

Salvador Alexandre — A primeira orientação seria ler. O escritor precisa conhecer diferentes vozes, estilos e maneiras de construir uma narrativa. Também é importante observar e escutar. As histórias não surgem apenas de acontecimentos extraordinários; elas podem estar nas experiências cotidianas, nas memórias, nas conversas e nas perguntas que acompanham cada pessoa. A escrita exige dedicação, revisão e disposição para recomeçar. Não é necessário esperar que todas as condições sejam perfeitas. Muitas vezes, o caminho começa quando alguém decide registrar a primeira frase e permanece disposto a trabalhar sobre ela.

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Salvador Alexandre, agradecemos por compartilhar conosco sua trajetória e suas reflexões sobre educação e literatura.

Salvador Alexandre — Eu agradeço à Conteúdo Pedagógico pelo espaço e pela oportunidade de falar sobre minha trajetória. É importante que existam iniciativas voltadas à valorização dos professores, escritores e demais pessoas que produzem conhecimento e cultura em nossa região. Espero que esta conversa também contribua para aproximar novos leitores da literatura e para incentivar aqueles que desejam começar a escrever.

VOZES E EXPERIÊNCIAS

“Se alguma história minha continuar encontrando leitores, despertando perguntas ou estimulando alguém a ler e escrever, ela continuará cumprindo sua travessia.”

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