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EDUCAÇÃO, LITERATURA E FORMAÇÃO HUMANA

Núbia de
Abreu Brito

Entre a educação e a literatura, uma floresta de valores e reflexão.

EducaçãoLiteraturaEscola públicaInfantojuvenil
Núbia de Abreu Brito, escritora e educadora de Euclides da Cunha, Bahia
Núbia de Abreu Brito, professora e escritora, autora de A irreal fantasia de uma floresta.

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Natural de Euclides da Cunha, no interior da Bahia, Núbia de Abreu Brito é professora e servidora pública municipal. Graduada em Letras Vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia — UNEB, é pós-graduada em Psicopedagogia, Filosofia para o Ensino Médio e Gestão Escolar.

Professora concursada da rede pública municipal, Núbia compreende a educação como um espaço de formação humana, diálogo e transformação social. Sua experiência profissional também inclui atuação em funções relacionadas à coordenação pedagógica e à gestão escolar, ampliando sua compreensão sobre os desafios que atravessam o cotidiano das escolas, dos professores e dos estudantes.

Essa convivência diária com a educação também encontrou expressão na literatura. Em A irreal fantasia de uma floresta, a autora utiliza animais com voz, personalidade e características humanas para conduzir uma narrativa indicada para leitores de diferentes idades.

Segundo a autora, o livro aborda questões presentes no ambiente escolar e na vida em sociedade, como bullying, preconceito racial, convivência, respeito às diferenças, responsabilidade, empatia, solidariedade, humildade e gentileza.

Por meio da fantasia e de elementos próprios das fábulas, a obra procura aproximar crianças e adolescentes de situações que exigem reflexão, diálogo e posicionamento diante das diferenças. A literatura aparece, assim, não apenas como entretenimento, mas também como possibilidade de ampliar a imaginação e fortalecer a formação de leitores mais sensíveis, críticos e conscientes.

Nesta entrevista para a seção Vozes e Experiências, Núbia de Abreu Brito fala sobre sua formação, sua trajetória na educação, a relação entre escola e literatura e as motivações que deram origem a A irreal fantasia de uma floresta.

Capa do livro A irreal fantasia de uma floresta, de Núbia de Abreu Brito
Capa de A irreal fantasia de uma floresta, com ilustrações de Maria Conceição Costa de Abreu e Adalberto Bernardo Silva.

A OBRA

A irreal fantasia de uma floresta

A irreal fantasia de uma floresta é uma narrativa de caráter educativo que busca plantar sementes de reflexão sobre o comportamento humano, a relação de cada pessoa consigo mesma e com o próximo e os cuidados necessários com a natureza. A obra convida o leitor a acolher as diferenças, compreender que todos possuem importância e construir relações fundamentadas no respeito, na convivência e na valorização do outro.

Título
A irreal fantasia de uma floresta
Ano
2024
Editora
INDE
ISBN
978-65-6026-108-2
Ilustrações
Maria Conceição Costa de Abreu e Adalberto Bernardo Silva
Faixa etária
Livre, indicada para leitores de diferentes idades

O livro já foi trabalhado em algumas escolas do município, em atividades de leitura, e apresentado em eventos literários, entre eles a Flicumbe.

ENTREVISTA

16 perguntas sobre educação, literatura e convivência

01

Núbia, para começarmos, conte-nos um pouco sobre sua trajetória e sobre as experiências que marcaram sua formação em Euclides da Cunha.

Nasci em Euclides da Cunha, cidade onde construí grande parte da minha trajetória pessoal e profissional. Minha formação foi marcada pelo contato com a educação, com a leitura e com a realidade das escolas públicas. Ao longo desse percurso, compreendi que o conhecimento pode ampliar possibilidades e contribuir para a formação humana. Foi nesse contexto que a educação se tornou parte essencial da minha vida.

02

Em que momento você percebeu que gostaria de seguir a carreira docente?

A escolha pela educação nasceu da percepção de que ensinar não significa apenas transmitir conteúdos. A escola é um espaço de convivência, escuta, diálogo e construção de valores. Ao ingressar na docência, percebi que poderia contribuir para a formação dos estudantes e, ao mesmo tempo, aprender com suas histórias, dúvidas e experiências.

03

Como sua graduação em Letras Vernáculas influenciou sua relação com a leitura e a escrita?

A graduação em Letras Vernáculas aprofundou minha relação com a linguagem, a literatura e os diferentes modos de expressão. Esse processo formativo permitiu compreender melhor a força das palavras e a capacidade que a literatura possui de representar conflitos, sentimentos, culturas e experiências humanas.

04

Além da graduação em Letras, você possui especializações em Psicopedagogia, Filosofia para o Ensino Médio e Gestão Escolar. Como essas áreas se relacionam com sua atuação profissional?

Essas formações ampliaram minha compreensão sobre o processo educativo. A Psicopedagogia contribuiu para uma percepção mais atenta sobre a aprendizagem e as necessidades dos estudantes. A Filosofia fortaleceu o olhar crítico e reflexivo sobre a educação e a sociedade. A Gestão Escolar, por sua vez, ajudou a compreender a escola como uma organização coletiva, que exige planejamento, diálogo e responsabilidade.

05

Sua trajetória inclui experiências na docência, na coordenação pedagógica e na gestão escolar. O que essas diferentes funções lhe ensinaram sobre a educação pública?

Cada função possibilita observar a escola por uma perspectiva diferente. A sala de aula aproxima o professor diretamente das necessidades dos estudantes. A coordenação pedagógica permite acompanhar o planejamento e apoiar o trabalho docente. A gestão escolar exige uma visão mais ampla sobre pessoas, processos, desafios e responsabilidades. Essas experiências reforçaram a importância do trabalho coletivo.

06

Em que momento a educadora passou a dividir espaço com a escritora?

A escrita surgiu como uma extensão das experiências que fui acumulando na educação e na vida. Muitas situações observadas no cotidiano escolar despertaram reflexões sobre convivência, respeito, preconceito, empatia e responsabilidade. A literatura tornou-se uma forma de organizar essas inquietações e transformá-las em uma narrativa capaz de alcançar crianças, adolescentes, famílias e educadores.

07

Como nasceu a ideia de escrever A Irreal Fantasia de uma Floresta?

A obra nasceu do desejo de abordar valores humanos e situações presentes no cotidiano escolar e social por meio de uma linguagem acessível e imaginativa. A floresta e os animais permitiram construir uma narrativa fantástica que aproxima o leitor de temas sérios sem retirar da história sua dimensão lúdica e literária.

08

Por que você escolheu uma floresta como cenário da narrativa?

A floresta oferece muitas possibilidades simbólicas. É um espaço de diversidade, no qual diferentes seres precisam compartilhar o mesmo ambiente. Essa convivência permite representar conflitos, diferenças, escolhas e aprendizados que também fazem parte da vida em sociedade.

09

Os animais da narrativa possuem voz, personalidade e comportamentos humanos. O que motivou essa escolha?

A utilização de animais humanizados aproxima a obra do universo das fábulas e cria uma forma simbólica de representar atitudes e comportamentos humanos. Por meio desses personagens, é possível abordar temas delicados de maneira imaginativa, permitindo que o leitor reconheça situações, reflita sobre elas e construa suas próprias interpretações.

10

A obra aborda bullying, preconceito racial, convivência e respeito às diferenças. Por que foi importante incluir essas questões?

Esses temas estão presentes na sociedade e também podem surgir no ambiente escolar. Crianças e adolescentes precisam de espaços seguros para falar sobre preconceito, exclusão, violência e respeito. A literatura pode contribuir para esse diálogo, porque permite que o leitor observe os conflitos por meio dos personagens e reflita sobre suas próprias atitudes.

11

Como trabalhar valores por meio da literatura sem transformar a história em uma simples lição de comportamento?

A literatura precisa conservar sua capacidade de despertar imaginação, emoção e curiosidade. Os valores não devem aparecer apenas como regras prontas, mas integrados aos conflitos e às escolhas dos personagens. O leitor precisa ter espaço para interpretar, questionar e construir sentidos a partir da narrativa.

12

Quais valores você espera que os leitores encontrem em A Irreal Fantasia de uma Floresta?

Espero que a obra desperte reflexões sobre respeito, empatia, solidariedade, humildade, gentileza e responsabilidade. Mais do que apresentar respostas prontas, desejo que a narrativa contribua para que os leitores pensem sobre a maneira como tratam as outras pessoas e como convivem com as diferenças.

13

De que maneira sua experiência na escola pública influenciou a construção do livro?

A escola reúne diferentes histórias, personalidades, desafios e formas de compreender o mundo. Essa diversidade oferece muitos aprendizados. Minha experiência como educadora ajudou a perceber temas que precisam ser discutidos com sensibilidade e responsabilidade, especialmente aqueles relacionados à convivência e à formação humana.

14

Em sua opinião, qual é o papel da literatura na formação de crianças e adolescentes?

A literatura amplia horizontes, fortalece a imaginação e ajuda o leitor a compreender melhor a si mesmo e o mundo ao seu redor. Também contribui para o desenvolvimento da linguagem, da sensibilidade, do pensamento crítico e da capacidade de reconhecer experiências diferentes das próprias.

15

Como você imagina que o livro pode ser utilizado por professores e escolas?

A obra pode servir como ponto de partida para rodas de conversa, produções textuais, atividades artísticas, dramatizações e projetos sobre convivência, respeito e diversidade. Cada professor poderá adaptar a leitura à realidade de sua turma, preservando sempre a dimensão literária da obra.

16

Que mensagem você gostaria de deixar para os leitores da página Vozes e Experiências?

Gostaria de reforçar a importância da leitura, da educação e do respeito às diferenças. Acredito que cada livro pode abrir caminhos para novas perguntas, novos sentimentos e novas formas de compreender a vida. Quando a literatura encontra leitores dispostos a imaginar e refletir, ela pode contribuir para relações mais humanas e conscientes.

ENCERRAMENTO

Entre imaginação e reflexão

A trajetória de Núbia de Abreu Brito evidencia uma aproximação entre educação e literatura. Em A irreal fantasia de uma floresta, experiências, inquietações e valores relacionados à convivência humana ganham forma por meio de animais, fantasia e situações que dialogam com leitores de diferentes idades.

Ao transformar temas presentes na escola e na sociedade em narrativa literária, a autora propõe um encontro entre imaginação e reflexão, sem afastar o leitor do prazer da leitura. Sua obra também reforça a presença de educadores que encontram na escrita uma nova possibilidade de diálogo com crianças, adolescentes, famílias e professores.

Entre seus projetos futuros, Núbia pretende publicar uma crônica e já considera a produção de uma nova fábula, dando continuidade ao encontro entre experiência, educação e criação literária.

CONTATO COM A AUTORA

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