O ALTO DO UMBUZEIRO

AUTOR David Souza

Formato
E-book em EPUB
Edição
Edição independente

O sertão contado por quem conhece suas vozes, seus causos, sua memória e suas contradições.

Capa do e-book O Alto do Umbuzeiro, de David Souza

O sertão não aparece apenas como paisagem: ele guarda histórias, inventa versões e conserva aquilo que o tempo não conseguiu apagar.

“O ALTO DO UMBUZEIRO” reúne 27 contos atravessados pela memória, pela oralidade e pelas diferentes formas de viver no sertão. As narrativas percorrem Canudos, cidades pequenas, fazendas, estradas, feiras, igrejas, casas antigas e territórios que nem sempre podem ser localizados com precisão. Nesse percurso, acontecimentos históricos convivem com causos populares, humor, crítica social, religiosidade, afetos, perdas e situações em que o cotidiano se aproxima do inexplicável.

O livro se inicia com “O Alto da Favela”, seu conto mais extenso, no qual Rosinha, já idosa, revisita fragmentos de sua infância no Arraial de Belo Monte. A narrativa aproxima a memória individual da história de Canudos e recupera personagens, espaços e experiências que permaneceram à margem das versões oficiais.

O conto que dá título à coletânea segue outro caminho. Em “O Alto do Umbuzeiro”, a chegada inesperada de Luiz Gonzaga e Gonzaguinha à Fazenda Mocó de Dentro transforma uma noite comum em um acontecimento transmitido entre gerações. A música, a hospitalidade sertaneja e um antigo umbuzeiro participam da construção de uma lembrança que, com o passar dos anos, adquire a forma de lenda.

Nos demais contos, personagens comuns enfrentam solidão, injustiça, preconceito, ambição, fanatismo, pobreza, saudade, relações familiares e acontecimentos que desafiam explicações imediatas. O conjunto alterna narrativas históricas, humor sertanejo, crítica social, fantasia, memória e mistério, preservando a voz de quem conta um causo sem separar completamente o vivido, o ouvido e o imaginado.

O ALTO DA FAVELA: MEMÓRIA DE BELO MONTE

Rosinha vive a velhice em Canudos enquanto sua memória retorna aos dias da infância no Arraial de Belo Monte. Pessoas, caminhos, casas, crenças e acontecimentos da guerra reaparecem de forma fragmentada, entre lembranças pessoais e fatos históricos. O título recupera o Alto da Favela, marco da história de Canudos, e estabelece uma ligação entre o sertão baiano, a origem da palavra “favela” e as populações que continuaram sendo deslocadas para as margens da história brasileira.

Vinte e sete contos. Diferentes caminhos pela memória e pelo sertão.

Abra cada título para conhecer a atmosfera da narrativa, sem revelar seu desfecho.

01
O ALTO DA FAVELACANUDOS · MEMÓRIA

Rosinha atravessa a velhice enquanto sua memória retorna à infância no Arraial de Belo Monte. O passado de Canudos reaparece por meio de pessoas, lugares e acontecimentos preservados por uma narradora que tenta reunir aquilo que o tempo fragmentou.

02
SINÉSIA, AMÉLIA E ADÉLIAFOFOCA · CURIOSIDADE

Três irmãs acompanham a vida da cidade através das janelas de um antigo casarão. Quando um casal desconhecido se muda para a casa vizinha e permanece fora do alcance de suas investigações, a falta de informações abala a rotina construída em torno da vida alheia.

03
O GRAND CIRCO NORTE-AMERICANOHISTÓRIA · MEMÓRIA

A tragédia ocorrida em Niterói, em 1961, é recontada a partir de um homem que retorna de viagem e procura sua família em meio ao caos. O episódio histórico surge como memória transmitida sob a sombra de um umbuzeiro.

04
A PRINCESA DE OLHOS PRETOSFANTASIA · SEGREDO

Uma princesa descobre que o passado de seu pai pode esconder um crime cometido em outro mundo. Conduzida por pequenas fadas, ela atravessa uma fronteira entre sonho, memória e realidade, onde o tempo não transcorre da maneira esperada.

05
A SARACURINHA DA INACESSÍVEL QUE QUERIA VOARDESEJO · IMPRUDÊNCIA

Inconformada com suas limitações, uma pequena ave exige que uma águia a ensine a voar. A busca pelo impossível transforma-se numa fábula breve sobre arrogância, ambição e os riscos de ignorar a própria natureza.

06
A MISSÃOFANATISMO · MANIPULAÇÃO

Ao retornar à cidade natal, Arlindo aproxima-se de uma líder religiosa que anuncia uma missão divina e reúne seguidores em torno de suas profecias. A entrega progressiva do grupo mostra como a fé pode ser manipulada até romper os limites da consciência e da responsabilidade.

07
DE LISBOA A MADRILITERATURA · VIAGEM

Um pequeno livro recebido na infância desperta a vocação literária do narrador e permanece com ele durante toda a vida. Décadas depois, a tentativa de descobrir quem escreveu aqueles poemas conduz a uma viagem entre Lisboa, Sintra, memória e autoria.

08
ENORME E INVISÍVELPRECONCEITO · RECOMEÇO

Carol é uma servidora competente cuja presença raramente é reconhecida para além da aparência. Uma experiência inesperada permite que ela escute o que os outros dizem e perceba quanto de sua própria vida foi abandonado em nome de uma rotina silenciosa.

09
JORGINHO D20HUMOR · SOLIDARIEDADE

Jorginho acredita, em alguns dias, ser uma caminhonete D20 e percorre a cidade reproduzindo seus sons e movimentos. Quando um visitante reage com intolerância, os moradores transformam a situação numa negociação conduzida segundo a lógica particular do personagem.

10
NA LADEIRA DO CARCARÁESTRADA · ESCOLHA

Um médico tem o carro imobilizado numa estrada do sertão e recebe abrigo de uma família desconhecida. A simplicidade da casa e o encontro com Flor fazem com que ele confronte a vida profissional e familiar que levava, embora certas escolhas não possam permanecer escondidas.

11
O ANDANTE DA RUA QUINZECANSAÇO · MOVIMENTO

Preso a uma rotina burocrática e sem entusiasmo, Fagner acorda tomado por uma necessidade inexplicável de caminhar. Atravessando estradas e cidades sem conseguir parar, ele transforma o movimento físico numa fuga temporária de uma vida que continua à sua espera.

12
O BARULHO QUE NINGUÉM OUVECRUELDADE · CONSEQUÊNCIA

Bielo cresce cercado por parentes, mas desenvolve uma relação cada vez mais destrutiva com pessoas e animais. Quando acredita finalmente ter encontrado alguém capaz de modificar sua forma de viver, o passado e as consequências de suas escolhas retornam por um caminho inesperado.

13
RODOPIO, O CACHORRO TRISTELEALDADE · SAUDADE

Conhecido por demonstrar alegria sempre que encontrava alguém, Rodopio passa a percorrer a cidade de cabeça baixa. O narrador decide segui-lo e descobre que a tristeza do cachorro está ligada à ausência de seu antigo companheiro.

14
SALTA MOITAPOBREZA · IMPULSO

Salta Moita troca a casa da família por um automóvel antigo, acreditando que finalmente realizará seu maior desejo. Entre trocas sucessivas e decisões precipitadas, o personagem atravessa a pobreza guiado por uma lógica própria, cômica e ao mesmo tempo amarga.

15
O POTE DE OURO DE SEU ALÍRIOAVAREZA · HUMOR

O boato de que o homem mais econômico da cidade esconde um pote de ouro debaixo da cama mobiliza um grupo de jovens. A tentativa de confirmar a história produz uma descoberta suficiente para encerrar, de uma vez, suas pretensões criminosas.

16
O ALTO DO UMBUZEIROLUIZ GONZAGA · MEMÓRIA

Uma pane no automóvel leva Luiz Gonzaga e Gonzaguinha à Fazenda Mocó de Dentro, onde são acolhidos por uma família sertaneja. A noite de conversa e música sob o antigo umbuzeiro transforma-se num causo familiar e numa explicação poética para os frutos temporãos da árvore.

17
O CIRCO DO PALHAÇO BARRILRETORNO · DESENCANTO

A chegada de um circo modifica por alguns dias a rotina de Labaredas e interfere definitivamente na vida de Dedé. Anos depois, um retorno reacende a expectativa de reconstrução familiar, mas nem toda volta significa permanência.

18
TERRA DE CEMITÉRIOFUTEBOL · CAUSO

Torcedor apaixonado pelo Bahia, um conhecido personagem da cidade protagoniza um episódio tão improvável que seu enterro se transforma numa história repetida por gerações. Humor, superstição e paixão futebolística explicam a origem de seu apelido.

19
ÁGUA DESPERDIÇADASABEDORIA · ARROGÂNCIA

Raimundinho vive pelas ruas escrevendo frases em paredes e atribuindo-as a autores famosos. O encontro com um intelectual orgulhoso coloca frente a frente o conhecimento acumulado nos livros e uma sabedoria construída pela observação das pessoas e da vida.

20
MARYANA PROCÓPIOMÚSICA · SILÊNCIO

Depois de uma carreira consagrada nos palcos, Maryana Procópio retorna à cidade natal e se recolhe numa mansão distante. Um entregador tem a oportunidade de ouvir, em ambiente reservado, a voz que o tempo e o isolamento afastaram do público.

21
RAQUELIMPÉRIO ROMANO · RESISTÊNCIA

Na Palestina submetida ao domínio romano, Raquel encontra um jovem legionário e percebe que seus mundos estão separados pela ocupação, pela violência e pelo poder. A visita de três homens procurados por Roma aproxima sua família de um conflito maior do que a comunidade.

22
AS PLANTAS DE EVAFÉ · SOBREVIVÊNCIA

Sem receber adequadamente por seu trabalho e enfrentando dificuldades para sustentar a família, o pastor Delmar decide deixar a cidade. Antes da partida, uma escolha tomada sob pressão coloca em conflito necessidade, consciência e as explicações religiosas usadas para justificar os próprios atos.

23
O MENINO DAS MÃOS FURADASMILAGRE · EXPLORAÇÃO

Josias nasce com marcas incomuns nas mãos e passa a ser associado a curas que atraem pessoas de diferentes lugares. À medida que sua fama cresce, a devoção coletiva transforma a vida do menino e da família, levantando questões sobre fé, sofrimento e exploração.

24
CASA MORTAPOVOADO · MISTÉRIO

O desaparecimento de seu Alípio inicia uma sequência de acontecimentos inexplicáveis em Lajedo do Alecrim. Enquanto os moradores procuram respostas e o povoado começa a se esvaziar, uma antiga casa permanece cercada por silêncio e por uma força que impede qualquer aproximação.

Esta é uma versão anterior da narrativa posteriormente retomada em “O Pedaço de Dona Alaíde”.
25
QUEM DECIDE?POLÍTICA · DISTANCIAMENTO

Um grupo popular ajuda Santana a construir sua trajetória política desde as mobilizações locais até cargos de maior projeção. Com o crescimento da carreira, aqueles que participaram do início percebem como a representação política pode se afastar das pessoas que a tornaram possível.

26
AS MÃOS FRIAS DA MORTEABANDONO · ESPERA

Sozinho depois da partida da mulher que amava, um homem mantém o portão entreaberto e espera por uma presença que possa encerrar sua solidão. A narrativa aproxima saudade, envelhecimento e morte até tornar incerta a identidade de quem finalmente atravessa a porta.

Esta é uma versão anterior da narrativa posteriormente retomada, com o título “Mãos Frias”, em “O Pedaço de Dona Alaíde”.
27
O CHANEXTREMISMO · INTERNET

O relato de um acusado revela sua passagem por fóruns anônimos da internet nos quais preconceitos, ressentimentos e discursos de ódio são tratados como formas de pertencimento. O conto examina como comunidades extremistas podem normalizar a violência e transformar intolerância em reconhecimento entre seus integrantes.

“O ALTO DO UMBUZEIRO” transita entre a memória histórica, o causo sertanejo, o humor, a crítica social, a fantasia e o mistério.

Os contos não procuram apresentar um sertão uniforme, mas diferentes maneiras de narrá-lo, vivê-lo e preservá-lo.

Conheça os caminhos deste sertão narrado.

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